Turistas, funcionários e gestores de empresas circulam pelo mundo, mas a maior parte dos que se deslocam por um tempo mais longo é constituída de migrantes internacionais. A pobreza é a principal causa da mobilidade, mas as defasagens entre sociedades jovens e em processo de envelhecimento, os conflitos, a difusão da informação, a redução dos custos de transporte e as demandas de mão de obra nos países do Norte alimentam os desejos de partida.
M-F Durand et al. Atlas da mundialização. Compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 28.
Acerca das migrações internacionais na atualidade, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
Ainda que estejam mundializadas, as migrações se regionalizaram; as regiões migratórias não abarcam continentes, mas correspondem a sistemas regionais em que há complementaridade entre a demanda e a oferta de trabalho e de população.
Gabarito: CERTO (C)
O item é correto porque traduz uma interpretação amplamente aceita nos estudos migratórios contemporâneos: as migrações se globalizaram em volume e visibilidade, mas se organizaram em sistemas regionais.
Mundialização × Regionalização
A globalização ampliou:
a circulação de pessoas,
os fluxos de informação e transporte,
a visibilidade das rotas migratórias.
Entretanto, isso não significa dispersão homogênea pelo planeta. Na prática, os fluxos tendem a se concentrar em circuitos regionais.
Sistemas migratórios regionais
Os estudos de migração mostram a formação de “sistemas migratórios” baseados em:
proximidade geográfica,
laços históricos e culturais,
acordos políticos e integração econômica,
complementaridade entre oferta e demanda de trabalho.
Exemplos clássicos:
América Latina ↔ América do Norte,
Norte da África ↔ Europa Ocidental,
Sudeste Asiático ↔ Japão/Coreia/Oriente Médio.
Complementaridade demográfica e laboral
O item acerta ao destacar que esses sistemas regionais se estruturam por:
países com excesso de mão de obra e crescimento populacional,
países com escassez de trabalhadores e envelhecimento demográfico.
Essa complementaridade explica por que as migrações não se distribuem igualmente entre continentes, mas se organizam em blocos regionais interdependentes.
Síntese
Mesmo em um mundo globalizado, os fluxos migratórios tendem a formar redes regionais estáveis, guiadas por proximidade, história comum e complementaridade econômica. Por isso, o item é Certo (C).
A questão reflete uma tese central nos estudos demográficos modernos: a de que a globalização não resultou em um movimento aleatório de pessoas pelo globo, mas sim na consolidação de sistemas migratórios regionais.
Análise do Item: Mundialização vs. Regionalização
A Perspectiva de 2026: Blocos e “Polycrisis”
Em 2026, essa regionalização é uma ferramenta de análise fundamental para a diplomacia:
Dica de Ouro para o TPS:
Enunciado (simulado):
Ainda que estejam mundializadas, as migrações se regionalizaram; as regiões migratórias não abarcam continentes, mas correspondem a sistemas regionais em que há complementaridade entre oferta e demanda de trabalho e população.
Analise criticamente a assertiva.
Resposta Modelo (nível CACD)
A assertiva é correta ao reconhecer que os fluxos migratórios contemporâneos combinam simultaneamente dimensões globais e regionais, fenômeno que pode ser compreendido à luz da teoria dos sistemas migratórios. Embora a globalização tenha ampliado a visibilidade e a intensidade das migrações internacionais, os deslocamentos populacionais tendem a concentrar-se em circuitos regionais relativamente delimitados, estruturados por vínculos históricos, econômicos, culturais e geográficos.
A mundialização das migrações refere-se à ampliação do número de países envolvidos, à diversidade de origens e destinos e à intensificação dos fluxos em escala planetária. No entanto, isso não significa dispersão homogênea pelo globo. Na prática, observa-se a formação de regiões migratórias, ou sistemas regionais de mobilidade, nos quais países vizinhos ou historicamente conectados mantêm trocas constantes de população. Esses sistemas se estruturam em função de complementaridades econômicas, como diferenças salariais, demanda por mão de obra e dinâmicas demográficas contrastantes.
Exemplos recorrentes incluem o sistema migratório norte-americano, envolvendo América Latina, Caribe, Estados Unidos e Canadá; o sistema europeu-mediterrâneo, que conecta Norte da África e Europa Ocidental; e o sistema asiático-pacífico, que articula países do Sudeste Asiático, Japão, Coreia do Sul e Austrália. Nesses contextos, a proximidade geográfica reduz custos de deslocamento, enquanto afinidades linguísticas e laços coloniais ou comerciais reforçam a continuidade dos fluxos.
A regionalização das migrações também decorre de políticas migratórias, acordos de integração econômica e regimes de livre circulação, como ocorre na União Europeia ou em blocos regionais de cooperação. Tais mecanismos institucionais favorecem deslocamentos intra-regionais mais intensos do que movimentos intercontinentais amplos. Assim, embora existam fluxos transoceânicos relevantes, a maior parte das migrações internacionais ocorre dentro de espaços regionais definidos.
Do ponto de vista demográfico e econômico, a noção de complementaridade é central. Países com envelhecimento populacional e escassez de mão de obra tendem a atrair migrantes de nações com crescimento demográfico elevado e oportunidades limitadas de emprego. Esse equilíbrio relativo entre oferta e demanda de trabalho sustenta a estabilidade dos sistemas migratórios regionais ao longo do tempo.
Conclui-se, portanto, que a afirmação é correta ao indicar que as migrações, embora mundializadas em alcance e diversidade, estruturam-se predominantemente em sistemas regionais interdependentes. Tal dinâmica revela que a mobilidade humana contemporânea é simultaneamente global em escala e regional em organização, refletindo a interação entre economia, demografia, políticas públicas e proximidade geográfica.
Ano: 2025
Banca: CEBRASPE
Prova / Fase: Prova Objetiva – 1ª Fase
Disciplina: Geografia
Tema: Geopolítica – Teoria do Heartland