A aparição das chamadas cidades mundiais e das cidades globais se explica pela necessidade de organização e controle da economia global. O termo cidade global, em sua versão mais topológica, é definido por Saskia Sassen como um território onde se exerce uma série de funções de organização e controle na economia global e nos fluxos de investimentos em escala planetária.
O. Nel.Lo e F. Muñoz. El proceso de urbanización. In.: Geografía humana, J. Romero et al (Coord.). Barcelona: Ariel, 2008, p. 321 (com adaptações).
Considerando a perspectiva conceitual de Saskia Sassen, julgue (C ou E) os itens seguintes, relativos a cidades globais.
A globalização econômica contribui para uma nova geografia da centralidade e da marginalidade, tornando as cidades globais lugares de concentração de poder econômico, ao passo que cidades que foram centros manufatureiros experimentam nítido declínio.
Gabarito: CERTO (C)
O item é correto porque expressa uma interpretação consagrada na geografia econômica e urbana contemporânea sobre os efeitos espaciais da globalização.
Nova geografia da centralidade e marginalidade
A globalização econômica:
intensifica fluxos de capital, informação e serviços,
reorganiza o espaço produtivo,
cria novas hierarquias urbanas.
Isso gera centralidades globais (lugares de comando) e áreas de declínio relativo.
Cidades globais como polos de poder
O conceito de “cidade global” está associado à concentração de:
sedes de corporações multinacionais,
mercados financeiros,
serviços avançados (finanças, tecnologia, consultoria, direito),
infraestrutura informacional e logística.
Essas cidades funcionam como nós de decisão na economia mundial.
Declínio de antigos centros manufatureiros
Muitas cidades antes industriais passaram por:
desindustrialização,
perda de empregos industriais,
deslocamento de fábricas para regiões de menor custo,
necessidade de reconversão econômica.
Esse fenômeno é típico de economias que migraram de bases industriais para economias de serviços e conhecimento.
Lógica geográfica
Centralidade: onde se concentram comando, finanças e inovação.
Marginalidade/declínio relativo: onde a base produtiva tradicional perde dinamismo.
Síntese
A globalização produz concentração de poder em cidades globais e declínio relativo de antigos polos manufatureiros, configurando uma nova geografia de centralidade e marginalidade. Por isso, o item é Certo (C).
A afirmação reflete as teses de geógrafas e sociólogas como Saskia Sassen, que cunhou o termo “Cidade Global”.
Análise do Item: Centralidade vs. Marginalidade
A Perspectiva de 2026: Cidades Globais e Soberania de Dados
Em 2026, essa dinâmica de centralidade e declínio ganhou novos contornos tecnológicos:
Dica de Ouro para o TPS:
Enunciado (simulado):
A globalização econômica contribui para uma nova geografia da centralidade e da marginalidade, tornando as cidades globais lugares de concentração de poder econômico, ao passo que cidades que foram centros manufatureiros experimentam nítido declínio.
Analise criticamente a assertiva.
Resposta Modelo (nível CACD)
A assertiva está correta ao apontar que a globalização econômica produz uma reconfiguração espacial das atividades produtivas e financeiras, gerando novas formas de centralidade e marginalidade no sistema urbano mundial. Esse fenômeno está associado à transição do modelo industrial fordista para uma economia baseada em serviços avançados, finanças e fluxos informacionais, processo intensificado a partir do final do século XX.
O conceito de cidades globais, desenvolvido por Saskia Sassen, descreve centros urbanos que concentram funções estratégicas de comando da economia mundial, tais como mercados financeiros, sedes corporativas, serviços jurídicos internacionais, tecnologia e produção de informação. Nessas cidades, o poder econômico não se vincula apenas à produção material, mas sobretudo à capacidade de coordenar redes transnacionais de capital e conhecimento. Exemplos frequentemente citados incluem Nova York, Londres e Tóquio, que se tornaram nós centrais da economia globalizada.
Paralelamente, a globalização implicou a desconcentração da produção industrial tradicional. Muitas cidades que prosperaram durante o auge do modelo manufatureiro sofreram processos de desindustrialização, perda de empregos e declínio urbano. Esse fenômeno, observado em regiões como o chamado “cinturão da ferrugem” nos Estados Unidos e em áreas industriais da Europa Ocidental, evidencia a transferência de fábricas para países com menores custos de produção e maior flexibilidade regulatória.
Essa transformação gera uma nova geografia de desigualdades. Enquanto cidades globais acumulam riqueza, infraestrutura e capital humano altamente qualificado, outras áreas urbanas enfrentam retração econômica e dificuldades de reinserção produtiva. A centralidade passa a ser definida não apenas pela capacidade industrial, mas pelo domínio de fluxos financeiros, tecnológicos e informacionais, o que amplia a distância entre polos dinâmicos e regiões periféricas.
Do ponto de vista social, essa reconfiguração também acarreta tensões internas nas próprias cidades globais, que combinam concentração de riqueza com acentuada desigualdade socioespacial. Assim, a globalização não elimina a marginalidade, mas a reorganiza em novas escalas e territórios.
Conclui-se que a afirmativa é correta ao reconhecer que a globalização econômica produz simultaneamente concentração de poder em determinados centros urbanos e declínio relativo de antigos polos manufatureiros. Tal dinâmica evidencia a mutação estrutural do capitalismo contemporâneo e sua expressão espacial na hierarquização das cidades dentro do sistema mundial.
Ano: 2025
Banca: CEBRASPE
Prova / Fase: Prova Objetiva – 1ª Fase
Disciplina: Geografia
Tema: Geopolítica – Teoria do Heartland